quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Um conto para vocês



Dívidas do passado

(Marcos Henrique)


Pedro tenha 10 anos e um sonho, queria ganhar uma bicicleta, porém, seus pais não tinham condições de dar esse presente ao garoto. O pai de Pedro estava sem emprego, sua mãe trabalhava como costureira, seu salário estava todo comprometido com as responsabilidades da casa.

Pedro era um bom filho, obediente, respeitava os mais velhos, estudioso, sempre dizia a sua mãe que um dia iria se tornar astronauta, a mãe ria com o sonho do garoto, impossível em seu pensamento de se realizar, sua mãe coçava sua cabeça e dizia – se você se esforça e estudar muito, claro que vai conseguir meu filho – Pedro tinha esse sonho, mas o mais urgente era o sonho de ganhar uma bicicleta que vira em uma loja, ele iria completar 11 anos e ter uma bicicleta para poder ir ao colégio e passear com seus amigos seria o máximo para o garoto.

Pequenos bilhetinhos eram deixados em cantos estratégicos da casa, sua mãe fica sempre com os olhos marejados quando os lia, seu pai não dizia uma só palavra ficava apenas sentado numa poltrona que fora de seu pai, era uma poltrona muito velha, de cor verde, com a costura já gasta, no entanto, o pai de Pedro adorava ficar naquela poltrona velha sentado horas a fio, dizia que ali conseguia colocar as ideias no lugar, pois o cheiro da poltrona remetia a sua infância, época de fartura. Seu pai era um homem de posses que perdeu tudo devido a seu vício no jogo e foi dessa forma que o pai de Pedro veio para a cidade grande, fugido, junto com sua família devido as dividas do pai. Ou ganhavam a estrada e deixavam tudo para trás, ou seu pai morreria, devido às dividas contraídas pela a jogatina.

Pedro ainda sonhava com sua bicicleta, depois de conseguir a bicicleta, virar astronauta seria muito mais fácil, assim pensa o garoto com toda sua inocência, toda noite ele rezava e como seu aniversário era no mês de dezembro reforçava suas orações, pedido a Papai Noel que desse uma ajudinha.

Os dias se passaram e os pais de Pedro não conseguiam a tão falada bicicleta. Era noite faltavam apenas algumas horas para Pedro completar 11 anos, ele nascera às 03h47 da madrugada, o relógio marcava 24h50 da madrugada, Pedro dormia no silêncio da madrugada quando de repente uma luz se formou em seu quarto, sua cama tremeu e seu corpo estremeceu. Pedro acordou meio sonolento e ouviu uma voz doce a chamá-lo.

- Pedro, Pedro! Não tenha medo, não vou te machucar – dizia a voz.

- Quem está ai? Não é o Papai Noel, nem o menino Jesus? – disse o menino – quem é você?

- Sou a fada dos dentes e quero te presentear – dizia a voz doce sem revelar sua forma.

- Foi Papai Noel ou o menino Jesus que te mandou até aqui? – Perguntou Pedro em sua inocência de menino.

- Não, não foram eles, mas sei tudo o que se passa com você – continuou a voz – Sei o que você mais deseja nesse mundo e posso te dar...

- Pode...?! – falou o garoto excitado sentando-se na cama, pois a ânsia de ganhar sua bicicleta era maior que qualquer medo do escuro ou do sobrenatural, mas o que seria sobrenatural para um garoto que acreditava em Papai Noel?

- Você deseja uma bicicleta, não é verdade?

- É sim! É Sim! Você pode me dar? – fala Pedro quase em pé na cama.

- Calma Pedro, não queremos que seus pais acordem não é verdade? – fala a fada se revelando para o garoto.

- Você é linda dona fada dos dentes – fala o garoto embriagado com a beleza da fada.

- Obrigada Pedro, você também é um belo garoto e sei que é muito educado e estudioso – continua a fada – por isso vim até aqui para te conceder esse desejo, pois apenas faço isso para garotos bons iguais a você.

- Então quando poderei ganhar minha bicicleta? – pergunta o garoto já de pé na cama.

- Calma Pedro, as coisas não funcionam bem assim – responde a fada com um brilho em seus olhos – Sou uma fada dos dentes, então preciso de dentes para poder conceder desejos e o seu é muito difícil por isso precisarei de...

Pedro olha e escuta atendo, o mundo poderia estar acabando fora de seu quarto que o garoto não ouviria nada, apenas a voz da fada.

- ... Preciso de todos os seus dentes.

Pedro põe as mãos na boca e fica um pouco assustado – todos os meus dentes? – pergunta o garoto.

- Sim – continua a fada – Porém não fique preocupado, não os quero agora, só daqui a dez anos.

- Dez anos? – pergunta Pedro abrindo apenas uma brecha entre as mãos para poder falar e logo volta a cobrir sua boca.

- Em dez anos você poderá me dar seus dentes, e como já será um homem, “um astronauta”, poderá comprar novos dentes – a fada continua tentando persuadir o menino – seu pai não tem dentes que mandou fazer?

- Tem sim – responde Pedro.

- Então você pode fazer o mesmo e como já será um astronauta você terá muito dinheiro para poder comprar quantos dentes quiser – fala a fada dos dentes se aproximando revelando assim toda sua forma belíssima de se ver.

- Mas só daqui a dez anos né? – pergunta Pedro.

- Claro, dou minha palavra, mas tem uma coisa – a fada toca na mão do garoto de forma suave – você não poderá contar a ninguém.

- E se meus pais perguntarem o que vou dizer? – pergunta Pedro.

- Diga que foi o menino Jesus – responde a fada dos dentes.

Pedro olha para a fada sua cabeça diz que tem algo de errado, mas seu coração inocente de criança deseja tanto aquela bicicleta que se deixa seduzir e concorda com a fada selando seu compromisso com um beijo na testa da fada dos dentes.

- Agora durma – continua a fada – amanhã você terá sua bicicleta.

- Do jeito que eu quero? – pergunta Pedro se arrumando na cama.

- Será a bicicleta dos seus sonhos, mas daqui a dez anos não faça nenhuma viagem espacial antes de me dar seus dentes – fala a fada com um lindo sorriso.

- Não se preocupe nunca deixei de cumprir uma promessa – diz Pedro se cobrindo e fechado os olhos num sono mágico.

- Eu conto com isso Pedro, conto com isso – diz a fada dos dentes e desaparece como que por encanto.

O dia amanhece e logo que acorda o garoto corre para a sala e a bicicleta está lá como prometido.

- Mãe! Mãe! - grita o menino desesperado para que seus pais venham ver a maravilhosa surpresa.

Seus pais ainda meios tontos de sono e com trajes de dormir chegam na sala e se deparam com uma visão que para eles parecia uma miragem.

- Quem colocou isso ai garoto?! – pergunta o pai de Pedro.

- Foi o menino Jesus pai! Foi o menino Jesus! – grita Pedro já montando em sua bicicleta.

- Mais, mais... Isso é impossível! – fala o pai incrédulo.

A mãe de Pedro se ajoelha começa a chorar e a rezar – só pode ser um milagre! – fala a mãe do garoto com lágrimas nos olhos

- Tem algo de errado aqui – fala o pai de Pedro.

- Não tem nada de errado pai, foi o menino Jesus que ouviu minhas preces, as minhas e as da mamãe! – diz Pedro eufórico com o presente.

- Desça já daí garoto! Essa bicicleta deve ter um dono – continua o pai de Pedro puxando o garoto pelo braço o tirando de cima da bicicleta bruscamente – eu vou achar o dono dessa bicicleta. Você a roubo Pedro?

- Não pai eu juro que não!

- Você não ouviu o menino dizendo Carlos, foi Jesus que nos deu esse presente – fala a mãe de Pedro acreditando no milagre que o filho acabará de contar.

- Você só deve estar louca Sandrea, não está vendo que Deus ou Jesus, ou Buda ou o diabo iria se importar com um pedido desses – continua o pai de Pedro – o que pensa em mulher?! Porque Deus não curou seu pai quando morreu de leucêmica, ou fez crescer um novo braço no filho dos Almeidas?! O que nosso filho tem de tão especial que Jesus deu a ele uma bicicleta?!

- Eu vou ser astronauta pai! – fala Pedro chorando tentando tocar na bicicleta – Eu vou ser astronauta!

- Astronauta! – continua o pai de Pedro – olha aqui muleque chegou a hora de você crescer!

- Carlos não! – grita Sandrea.

- Olha bem nos meus olhos garoto, nada surge assim do nada, Jesus nunca te daria um presente desses e Papai Noel não existe, entendeu! Sempre fui eu quem te deu todos os presentes que você recebeu nos natais, eu Pedro! – esbraveja Carlos sacudindo o garoto pelo braço.

- Não! Não é verdade! – grita o menino em prantos – Não é verdade não é mãe?! Não é mamãe?!

Sandrea apenas olha o filho e chora sem saber o que dizer. Pedro se solta das garras do pai e vai chorando para o quarto onde fica trancado chorando aos prantos na cama, junto com suas lágrimas sua inocência é maculada.

- Precisava ter feito isso Carlos! – grita Sandrea.

Carlos apenas olha para a bicicleta, ele se desconecta por completo, não ouvi uma só palavra da esposa, na cabeça de Carlos só há lugar para uma coisa: Como aquela bicicleta foi aparecer ali.


Dez anos depois

O mês de dezembro chega mais uma vez, as lojas e o centro das cidades estão enfeitados com arranjos natalinos, em meio aos transeuntes, um jovem de semblante triste vai andando com os ombros baixos, mãos nos bolsos da calça já surrada e seu velho All Star azul, juta umas latas de coca-cola, é Pedro quem circula pela cidade fazendo hora para chegar a sua casa, hoje é dia de seu aniversário, está prestes há completar vinte anos.

Desde a discussão com seu pai há quase 10 anos atrás Pedro não é mais o mesmo, sua inocência se perdera naquele dia e seu pai hoje com 54 anos ainda se pergunta como aquela bicicleta foi parar em sua casa, Pedro nunca andou na bicicleta, então perdeu o interesse em tentar aprender a andar em qualquer bicicleta.

- É hora de ir pra casa enfrentar mais um dia com meu pai – pensa Pedro – eu poderia dormir na rua hoje, mas é muito arriscado e não quero ir para casa de nenhum amigo, não to com saco para ouvir aquela estúpida canção “Parabéns pra você”.

E assim Pedro segue para casa olhando as pessoas esbarrando umas nas outras com suas sacolas de presente, homens vestidos de papais Noeis, anões vestidos de duendes.

Pedro chega em casa, na há nenhum enfeite de natal, seu pai na mesma velha poltrona de sempre, hoje mais desgastada pelo tempo, só que agora Carlos está mais ranzinza do que nunca, sempre fica assim perto de Pedro fazer aniversariar, pois nunca saiu de sua cabeça a maldita chegada inesperada de sua bicicleta. Por um tempo Carlos achou que sua esposa o estava traindo e foi dessa forma que aquela bicicleta foi parar naquele dia na sala de sua casa, depois do acontecido à vida da família de Pedro não era mais a mesma, seu pai continuava desempregado e sua mãe teve progresso na vida profissional, conseguiu com muito esforço fazer um curso de técnica em enfermagem e hoje estava trabalhando em três empregos para manter a casa e custear os estudos do filho, o pai de Pedro no entanto só fazia bicos e passou a beber.

- Boa noite pai – diz Pedro e não ouvi nenhuma resposta de Carlos.

Carlos já estava bêbado como já era de costume, só que no dia do aniversário de Pedro ele sempre bebia um pouco a mais.

- E então muleque o que vai pedir dessa vez?! – continuou seu pai sarcasticamente – seria bom uma prostituta para tirar sua virgindade!

Pedro não da ouvidos e apenas o dar boa noite e segue para seu quarto, sua mãe estava de plantão, porém não esquecera do filho, deixou na gaveta de sua cômoda um presente, um canivete suíço, preto, e o melhor totalmente original.

Pedro quando abri a gaveta de sua cômoda deu um sorriso e pensou com sigo mesmo – ela nunca esquece, eu amo aquela mulher – desembrulhou com todo cuidado para danificar o mínimo possível o papel de presente, abriu a caixa toda feita com detalhes rupestres e quando viu o canivete adorou o presente. Só saiu do quarto uma única vez para fazer um lanche e tomar banho, mas antes se certificou que o pai já estava dormindo na velha poltrona.

Pedro se prepara e vai dormir com o canivete ao seu lado, como se fosse um urso de pelúcia dado por sua mãe a um garotinho. As 03:30 da madrugada uma luz a muito esquecida começa a se forma em seu quarto, mas com o mesmo azul embriagador de sempre.

- Pedro, Pedro – fala a voz chamando pelo rapaz que dorme profundamente - É hora de acertarmos contas Pedro, você tem uma divida comigo.

Pedro acorda meio tonto – Quem está ai? – pergunta abrindo os olhos.

- Já esqueceu de mim Pedro? – continua a voz – mas eu sempre pensei em você por todos esses anos e hoje é o grande dia.

Pedro desperta de vez e lembra do acordo que vez há dez anos atrás.

- É você fada dos dentes? – pergunta Pedro com a voz um pouco tremula.

- Quem bom que lembrou de mim, pois nunca esqueci de você – continua a fada dos dentes se revelando para Pedro com a mesma beleza de antes.

- Você continua linda e acho que hoje está ainda mais linda do que quando a conheci – continua Pedro – acho que meus olhos te veem mais linda hoje do que antes.

- Seus olhos são lindos, Pedro no entanto não são eles que quero – diz a fada se aproximando da cama.

Pedro se senta na cama e esconde o canivete que sua mãe deu de presente embaixo do travesseiro.

- Mas eu não virei astronauta ainda, você não poderia esperar um pouco mais? – pergunta Pedro tentando ganhar tempo.

A fada dos dentes ri – Vejo que cresceu, ficou lindo e engraçado, porém sinto muito fizemos um acordo além do mais se você se tornar astronauta quem me garante que, em uma de suas viagens especiais você não volte nunca mais e eu perca suas jóias – fala se aproximando da cama e tocando o pé de Pedro com uma mão tão fria quando a de um defunto, fazendo Pedro se arrepiar todo.

- Você não poderia me dar mais um tempo – continua Pedro tentando convencer a fada lhe dar mais tempo ou quem sabe desistir de seus dentes – eu não tenho dinheiro para comprar dentes novos e dessa forma como vou conseguir arrumar uma namorada?

- Sinto muito, mas temos um acordo e preciso dos seus dentes para continuar visitando mais pessoas – a fada se aproxima ainda mais e toca a coxa de Pedro.

Pedro a olha bem nos olhos como se estivesse hipnotizado, a fada se aproxima mais e de súbito Pedro reage, pega o canivete o arma e passa no rosto da fada num golpe certeiro. Com o golpe a fada se afasta e da um grito fino de dor que logo se transforma em gargalhada.

- Você acha que essa faquinha pode me ferir?! – diz a fada com um ar de deboche – Você é mesmo um imbecil! Me dê logo esses dentes moleque, pois estou morrendo de fome – fala a fada que se transforma num ser asqueroso, suas asas que antes se pereciam asas de borboleta se transformam em asas de morcego e seu rosto antes belo como um entardecer na praia fica desfigurado, seus dentes se transforma em prezas disformes, suas mãos ressecadas e enrugadas agarram as pernas de Pedro para tentar imobilizá-lo.

- Socorro! Pai! – grita Pedro desesperado.

Carlos acorda meio desorientado, escutando bem distante o chamado desesperado de seu filho.

- Pai! Pai! Socorro – Continua Pedro com a perna sangrando, as unhas da fada dos dentes o machucam com violência.

Carlos se levanta de uma vez só meio tonto – Muleque! – continua Carlos coçando a cabeça e assanhando seus cabelos.

Os gritos continuam e então Carlos desperta por completo – Pedro!? – diz Carlos e corre para o quarto do filho, o corredor parece mais longo do que antes, os gritos ficam mais altos e Carlos se desespera.

Aporta do quarto está fechada, Carlos arromba a porta com um chute, nem mesmo o velho Carlos imaginava ter tamanha força e para sua surpresa seu filho está todo ensanguentado morto deitado na cama.

- Pedro! Pedro! O que aconteceu meu Deus?! – grita Carlos abraçando o corpo do filho, ele não percebe, mas não está só no quarto.

- Valeu apena esperar todo esse tempo – diz a fada dos dentes se deliciando com sua refeição “os dentes de Pedro”, todos os dentes.

Carlos olha em direção ao guardaroupas do filho e para sua surpresa agachada bem distraída com sua refeição a fada nem nota Carlos a li olhar.

- Quem é você? O que é você!? – pergunta Carlos em choque.

A fada dos dentes se vira para Carlos e com um sorriso de satisfação, lambendo os dedos, se deliciando com a refeição que acabara de fazer.

Carlos olha ao redor do quarto e a única arma que consegue acha é o canivete suíço presente da mãe de Pedro.

- O que você fez sua maldita coisa?! – grita Carlos apontando o canivete para a fada que da uma gargalhada gelando a alma de Carlos.

- Agora ele é seu filho? – continha a fada – eu sou a prostituta que você queria dar de presente ao garoto, só que... – a fada olha para Carlos e volta a se transforma no ser asqueroso que aquele semblante belo esconde - ... Eu cobro antecipado e os dentes de Pedrinho eram tão lindos que não resisti, tive que come-los.

- Seu maldito demônio! Eu vou te matar – grita Carlos e parte para cima da fada, mas como a uma mosca Carlos é lançado ao chão.

- Humano idiota! - continua a fada – não sou um demônio, mas você é uma anta, anta não que é um animal inteligente apesar de sempre compararem um humano idiota feito você a um animal tão inteligente, é uma ofensa ao animal.

- Eu vou matar você, não importa o tempo, eu vou te destruir! – grita Carlos apontando o canivete para a fada que o olha tranquilamente.

- Você acabou de se incriminar estúpido – continua a fada – eu usei esse canivete para arrancar minha refeição da boca de seu filho, e como não tenho impressões digitais, que pena; você é quem vai pagar o pato pela morte do muleque.

- Eu vou acabar com você! – grita Carlos com ódio nos olhos.

A fada olha para Carlos com um olhar de superioridade – estou lhe esperando quando quiser seu trouxa, se pelo menos ele tivesse podido aprender a andar de bicicleta. Vamos ser sinceros era linda aquela bicicleta que eu dei a ele não era?

Como que por mágica a fada some após revelar o segredo de Pedro, Carlos fica atônito, ele não podia acreditar.

- Não, não, não; não!

Passos rápidos são ouvidos na casa – Pedro? Carlos? – uma voz um pouco aflita chama pelos homens da casa.

É a mãe de Pedro, ela conseguiu uma folguinha para comemorar o aniversário do filho e vinha com um lindo bolo para o ele, mas seu coração de mãe ficou apertado o dia inteiro como que prevendo algo de ruim que iria acontecer.

Sandrea entra no quarto já esperando o pior, ao ver o corpo do filho sem vida em cima da cama todo ensangüentado larga o bolo e começa a gritar. Carlos está no canto da cama, sentado com o canivete na mão e se balançando, ele não fala coisa com coisa, apenas se balança de um lado para o outro batendo com a cabeça na parede do quarto de tal forma que já começa a sangrar.

- O que você fez Carlos!? – grita Sandrea segurando Carlos pelos ombros e o sacudindo.

- Meu menino, meu... Ele só queria andar de bicicleta Sandrea – continua Carlos desnorteado – ele era um bom menino, ele era...

- Carlos! Carlos! Olhe para mim! – continua Sandrea pegando o rosto de Carlos e levantando-o para que possa olha para ela – O que você meu; Deus!?

Carlos respira fundo e olha para Sandrea com lágrimas nos olhos – Eu o amava Sandrea, eu o amava – Carlos larga o canivete o começa a chora.

Sandrea fica sem entender, tenta se recompor, olha para o filho ali, jogado sem vida na cama e sai do quarto, Carlos se estica para tentar alcançar as pernas de Sandrea, mas não consegue.

- Alô telefonista eu quero registrar um assassinato em minha casa – continua Sandrea com uma voz hora segura, hora vacilante e os olhos marejados.

- De quem senhora? Meu filho. Meu marido o matou.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Olá amigos!


Gostaria de informa que vocês já podem adquirir meu livro: o Lado Avesso – Nornes, o mago em versão E-book no site da livraria Saraiva.

Pelo link:
Click aqui!

Abraços virtuais!

terça-feira, janeiro 24, 2012

Meu conto: Matou a família e foi ler o jornal do dia




Matou a família e foi ler o jornal do dia
(Marcos Henrique)


Mais um domingo nascia. O ponteiro pequeno estava em cima do número cinco e o grande, em cima do número oito. Ele já estava pronto, pronto e ansioso. Tomou seu café com leite, comeu torradas integrais, uma fatia de queijo coalho e para completar, uma banda de mamão havaiano. Saciado, foi ao banheiro, escovou os dentes, sentia orgulho por ter 62 anos e todos os dentes. Foi para o terraço, observou com seus óculos multifocais o jornal de sábado, ali, parado, sem vida, pensou: Quando me tornarei sem serventia?

Esticou-se na cadeira e pôde olhar para dentro da sala, o ponteiro pequeno estava agora quase no número seis, o ponteiro grande no número cinquenta e cinco. Esfregou as mãos, voltou a olhar para o jornal da edição passada e pensou: O que ele vai me mostrar neste domingo? Começou a olhar para os dedos das mãos, brincou com as unhas que estavam um pouco grandes. Estava na hora de podar seus dedos.

- Vai dar tempo?

Levantou de uma só vez, foi até seu quarto, abriu o guarda-roupa, procurou, procurou, procurou, não encontrou o que queria, olhou para a esposa que ressonava, não quis acordá-la.

- Onde essa velha coloca a tesoura? – pensou.

Foi até a porta do quarto, esticou-se e olhou o relógio na parede que marcava seis horas em ponto. Não havia tempo para sua vaidade. Correu até o terraço, olhou pela grade que, protegia seu mundo. Nada no quintal. Chamou a empregada e perguntou se ela havia pegado o objeto de seu desejo. Ouviu um sonorico – Não –.

- O que está acontecendo com o mundo? - se perguntou.

Lembrou que seu nome era um dos mais comuns, olhou para o jornal de sábado e lembrou que descobriu isso ao folhear o finado.

- O que está acontecendo com o mundo? – falou em voz alta.

Sentou-se na cadeira do terraço, olhos fixo no portão, ouvidos atentos, não ouvia os latidos dos cachorros da vizinhança.

- O que está acontecendo com o mundo? – se questionava, enquanto esfrega as mãos e sentia as unhas grandes rosando em suas palmas. Pensou em voltar ao quarto e continuar com sua busca pela tesoura, mas não queria sair dali, não queria perder aquele momento tão esperado.


- Bom dia – disse à esposa que, acabara de acordar. Ele respondeu com um aceno de mão, a companheira sorriu.

Levantou-se por uns instantes, olhou para a sala, o relógio estava lá certeiro como nunca. Ponteiro pequeno encima do número seis, ponteiro grande encima do número quatro.

- Vinte minutos de atraso. Vinte minutos! É um absurdo!

- O que foi José? – perguntou a esposa aparecendo na porta da sala.

- O jornal, está atrasado vinte minutos! Um absurdo!

- Ele chega já. Tomou café?

-Tomei. Que absurdo!

- Tua filha vem hoje para cá, vem com as crianças, o marido e a sogra.

- Que falta de respeito! – dizia e, não prestou atenção a uma única palavra da esposa que, gesticulou com a mão, algo do tipo: Ah! E saiu da porta para trocar de roupa.

Tornou a olha para o jornal de sábado, o pegou nas mãos, abriu o primeiro caderno, não era a mesma coisa, não tinha o mesmo cheiro, aquele aroma que apenas jornais novos tinham. Foi para a seção de esportes, não importava mais saber que seu time do coração havia perdido. – Só notícias mortas – pensou.

- O que está acontecendo com o mundo? – tornara a se perguntar.

Foi até a sala, pegou as chaves da grade e foi até o portão – Onde se meteu este filho da puta? – falava, se referindo ao jornaleiro.

Voltou para dentro de casa. Guardou as chaves, pendurou-as no porta chaves que tinha ganhado da única filha. Tornou a olha para o relógio. Quinze para as sete.

- Puta que o pariu!

- O que é isso homem? Tá ficando doido? – lhe repreendeu a esposa.

- Quase uma hora de atraso do jornal - continuo – Isto nunca aconteceu, são vinte anos de assinatura. É uma falta de respeito!

- Chega já – falava esposa, tentando acalmá-lo.

Às sete horas em ponto, sua filha toca a cigarra, mas com o barulho que os filhos dela faziam, não seria preciso tocar cigarra alguma.

O velho estava sentando numa das cadeiras do terraço, um jogo de cadeiras com um centro de vidro que o genro havia dado de presente no último natal.

- Papai, abra aqui o portão.

- Já vou – falou emburrado.

Abriu o portão, tentou driblar as formalidades. Em vão. Apertos de mãos, beijos e pedidos de benção foram-lhe solicitados. – Entrem, vamos entrando – falou.

Seus netos, dois meninos, um de oito e outro com seis anos, entraram rasgando o mundo metafísico, até esbarrarem na forma física da avó.

A família estava reunida, para passar um domingo juntos, já que nem sempre se viam. A vida moderna não nos da tempo de socializarmos fisicamente. A filha, havia se casado e ido morar a duas horas de viagem da casa deles, foi morar perto da sogra que, já era muito idosa e estava mais para lá do que para cá. O genro era um engenheiro metido a besta que, conseguiu seu primeiro emprego no ramo graças ao falecido pai, um arquiteto de renome.

- O que papai tem mãe?

- É o jornal.

- O jornal?

- Está atrasado, sabe como seu pai é não vive sem ler o jornal.

- Sei. Se soubesse disso, tinha trazido o de lá de casa.

O velho escutou de sua cadeira no terraço – Filha desnaturada! – pensou.


- Vamos entrando e se acomodando, vou fazer uma macarronada deliciosa – disse a mãe.

Sete e meia da manhã e nada do jornal. Muitas coisas começaram a passar pela cabeça do velho: O jornaleiro está morto; foi sequestrado; atropelado e está em coma com meu jornal nas mãos; foi abduzido; filho da puta! Está na esquina da rua, rindo de todo o transtorno que está me causando.

Pensou em levantar e ir até a esquina, mas antes de conseguir realizar suas vontades, o genro chega e senta-se para puxar conversa.

- Como vai sogro?
- Não muito bem.
- É o jornal?

Ele sabia que era o jornal, então porque estava perguntando se toda aquela situação estava sendo causada pelo jornal, ou melhor, pela falta dele.

- Se eu soubesse que seu jornal não havia chegado...

O genro foi interrompido pelo levantar rápido do sogro, o jornal acabara de chegar e, como um investigador criminal, José interrogou o jornaleiro com todo afinco.

- E que isso não aconteça mais – dizia José, enquanto o jornaleiro tentava se explicava.

Já era quase oito horas, os vizinhos que sempre acordavam mais tarde aos domingos resolveram despertar mais cedo. Carros sendo tirados, para serem lavados, garotas com seus micro-shorts passeando com seus cães, mas o velho José, só queria saber de uma coisa. Ler o seu jornal de domingo. Não havia tempo para afinidades com vizinhos.

Começou a tirar o jornal do saco plástico, quando chegaram os netos querendo atenção.

- Vô! Vô! Vamos brincar!

O velho não queria saber de brincar, só queria ler seu jornal.

- Outra hora. – respondeu secamente.

As crianças ficaram tristes, saíram de cabeça baixa. O genro não gostou muito e como desforra, ficou determinado a não deixar o velho ler o jornal.

Enquanto o senhor José tentava abrir o pacote, seu genro não parava de falar, falava do trabalho, de seus projetos e de um bate boca que teve com um mestre de obras.

- José, o que você fez com os meninos – falou a esposa, chegando sorrateiramente.
- Não fiz nada.
- Os meninos vieram, hoje, para passar o dia com agente e será que você não pode dar um pouco de atenção a eles?
- Me deixa ler o Jornal, que nos brincamos depois.
- Três horas de viajem para isso, José.

Eram duas horas de viagem e não três – Porque mulher faz drama em tudo – pensou.

Os garotos começaram a chorar e, foi aí que, a esposa teve a idéia mais estúpida da humana. - Não vou deixar esse rabugento ler essa porcaria de jornal de domingo.

José pediu licença ao genro e foi para o quintal, tentar ler as notícias, pegou uma das cadeiras do terraço e foi para uma sombra, que um pé de carambolas proporcionava todas as manhãs em seu terreno.

- Vamos fazer de tudo para ele não ler o jornal de hoje – falava a sua companheira, enquanto a sogra da filha morria de rir.

- Mamãe, deixa o pai ler o jornal dele, o coitado depois que se aposentou, só tem essa diversão.
- Hoje ele não lê esse Jornal – foi relutante.

O cheiro do jornal era ótimo, apesar da hora que chegara, ainda tinha cheiro de jornal novo, as notícias ainda eram fresquinhas, pelo menos para José. Só que o homem não sabia do plano que estavam armando por suas costas, nem quem seria a autora intelectual dos atos que se sucederam. E assim, o plano foi posto em prática, era menino correndo, brincando de paga, gritando, destruindo o equilíbrio natural das coisas. A filha vinha a cada 10 minutos, com fotos antigas, para rememorar os tempos de glória, a empregada que perguntava qualquer bobagem e o genro que com a cara mais sínica, reclamava com os moleques, mas estava se deliciando com o caos. Um inferno! Estou no infernou – pensou o castigado homem.

José, não se sentia tão estressado desde os tempos em que tinha que acordar, todos os dias, às quatro e meia da manhã e pegar um trânsito infernal para poder ir ao trabalho. Sentiu saudades.

Sempre que iniciava a leitura, uma interrupção. Do primeiro cadernos viu só a charge, do caderno internacional, apenas o nome: Internacional; cultura, apenas o título: Furacão Baiano faz show inesquecível. Foi quando o genro teve a excelente ideia de falar que Leonel Messi fora escolhido pela terceira fez o melhor jogador do mundo, aquilo era inadmissível, o caderno de esportes era sagrado para qualquer homem, até seu genro sabia disto

José o olhou, no fundo da alma, o genro se sentiu nu, colocou as mãos no peito, como que tentando esconder sua nudez e entrou na casa desconfiado.

- Acho que excedemos os limites – falou ao entrar na cozinha.

José, foi até a garagem, pegou um facão, que havia amolado para poder podar o pé de carambolas mais tarde, entrou em casa e começou seu ritual. Gritos podiam ser ouvidos pelos vizinhos, que começaram a se aglomerar enfrente a casa. – Não vovô, vovô – gritavam os moleques e José respondia: - Querem jogar bola!? Vão jogar, agora, no raio que os parta!
Tudo durou pouco mais de vinte minutos. José saiu da cozinha e o que deixou para trás foram, pedaços de corpos, vísceras, sangue e a cabeça de seus familiares em cima da mesa, com a exceção da cabeça do genro que, havia sido jogada no balde de lixo, até a emprega ganhou um lugar em cima da mesa, pois prestavas bons serviços para a família a mais de vinte anos.

O homem parecia estar cansado, mas com um semblante sereno. Passou a mão no rosto, para limpa um pouco do sangue que lhe untava todo o corpo, foi até o quintal, sentou-se e depois de ter cometido seu ato de selvageria e libertação, pegou seu jornal, com toda a calma do mundo, procurou os classificados, em busca de um emprego, pois precisava complementar a renda da família e não aguentava mais toda aquela ociosidade que a aposentadoria lhe causara.

- Como pode um aposentado sobreviver neste País? – pensou, ao ver o aumento que o governo deu a sua categoria e, finalmente conseguiu matar a vontade de ler seu jornal dominical.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Meu livro: O Lado Avesso - Nornes, o Mago já está a venda!!!



Gostaria de comunicar a todos os amigos que, a pré-vende de meu livro: O Lado Avesso – Nornes, o Mago já está sendo feita no site da livraria Baraúna por um preço promocional.


A versão do livro O Lado Avesso – Nornes, o Mago,em E-book no site do Gato Sabido.

O link: http://www.gatosabido.com.br/ebook-download/158476/marcos-henrique-o-lado-avesso-nornes,-o-mago.html


O Lado Avesso!
Imagine um mundo fantástico onde Elfos, Dragões, Guerreiros, Magos, Ciclopes, em fim, várias criaturas da literatura fantástica transitem com seres do folclore brasileiro como, Curupiras, Caiporas, Flor-do-mato, Alamoas entre outros. Já imaginou um Curupira montado num dragão alado? Ou uma Alamoa seduzindo um guerreiro para depois devorá-lo? Não? Então leia: O Lado Avesso – Nornes, o Mago e descubra esse novo universo.

O Lado Avesso – Nornes, o Mago, mostra que através dos seres do folclore brasileiro uma emocionante estória de fantasia pode ser contada.

sábado, dezembro 24, 2011

Feliz Natal!


“O Natal! A própria palavra enche nossos corações de alegria. Não importa quanto temamos as pressas, as listas de presentes natalícios e as felicitações que nos fiquem por fazer. Quando chega no dia de Natal, vem-nos o mesmo calor que sentíamos quando éramos meninos, o mesmo calor que envolve nosso coração e nosso lar.”

Joan Winmill Brown.

Tenham todos um maravilhoso Natal e um coração de criança!

Um sonho que se realiza!!!

Bom dia, boa tarde, boa noite e ótimo Natal!!!

Amigos chegou ontem a minha casa o livro prova para eu dar uma lida e ver se está tudo ok. Gostaria de compartilhar com vocês a imagem da capa, feita por um amigo meu. Em breve, mais novidades.

Abraços!


O Lado AVesso - Nornes, o Mago


Hoje faz 10 anos que tive uma puta depressão e sobrevivi. A vida me deu uma surra, mas estou de pé e pronto para a briga com Bane (vilão que quase matou o Batman), mas ele não vai quebrar minha espinha, como vez com o cavaleiro das trevas. O que aprendi com tudo isso? (porque sempre temos que aprender algo, quando algo de ruim acontece com a gente? Acho que é o lance da evolução). Bom, aprendi que você pode sobrevier se realmente lutar por você e de quebra, consegui escrever meu primeiro livro: Poemas Suicidas – Diário de um Moribundo (meu primeiro romance), que acabou sendo um presente para mim, um mórbido presente, eu sei. Mas, me vez enveredar por esse universo fascinante da escrita. E em 2012, vou conseguir realizar um sonho, vou lançar meu primeiro livro por uma editora, não o primeiro que escrevi, mas o primeiro de fantasia que escrevi. E qual o diferencial dele, você deve estar se perguntando? Eu respondo. Você já viu um curupira montado num dragão alado?

Aguarde! 2012 promete!

Abraços virtuais!

sábado, dezembro 03, 2011

O que os famosos eram, Antes de ser o que é

ad

O que é e o que era

Nem todo mundo sempre foi o que é. Quer dizer, muita gente que é uma coisa, não era essa coisa antes. Ou melhor, quem era uma coisa antes, nem sempre continua sendo o que era. Calma, isso aqui está meio confuso, vamos explicar melhor. O que queremos dizer é que pessoas que atualmente têm uma profissão, nem sempre exerceram essa profissão. O ex-presidente Lula, por exemplo, que hoje é um político conhecido mundialmente, já foi torneiro mecânico numa fábrica de automóveis. É interessante saber o que pessoas que hoje são famosas e desfrutam de uma posição de destaque no meio social foram no passado. Até porque isso serve de estímulo para quem estão começando a caminhar na vida.

Exemplos

  • A famosa cantora Ângela Maria foi inspetora de uma fábrica de lâmpadas.
  • O ator Ary Fontoura, imagine, foi cantor de churrascaria.
  • Chico Buarque de Holanda era topógrafo.
  • Dedé Santana, parceiro de Renato Aragão nos “Trapalhões” foi trapezista de circo, engraxate, verdureiro e ajudante de mecânico.
  • Elke Maravilha era bibliotecária e professora de Latim.
  • Elza Soares foi operária numa fábrica de sabão.
  • Fábio Júnior, quem diria, era entregador de jornal.
  • Erasmo Carlos foi office-boy, vendedor e porteiro de edifício.
  • Francisco Cuoco foi feirante.
  • Gal Costa era vendedora de discos.
  • Ivete Sangalo vendia marmitas.
  • Luiza Brunet, a linda modelo, era babá.
  • Milton Nascimento era, olha só, datilógrafo!
  • Ney Matogrosso foi policial da aeronáutica, fez biópsias em laboratórios de patologia, foi enfermeiro e vendedor de artesanato.
  • Roberto Carlos era auxiliar de administração do Ministério da Fazenda.
  • Waldik Soriano era motorista de caminhão e garimpeiro.
  • Zé Ramalho era carregador de caixas de cerveja e condutor de cadeiras de rodas.
  • Zeca Pagodinho era apontador de jogo do bicho.

O passado é coisa morta, impossível de mudar. O futuro não existe, depende do que for feito no presente. Portanto, o presente é a única coisa que realmente importa em nossa vida. Tudo depende de nós, aqui e agora.


Fonte:http://www.vocesabia.net/curiosidades/oque-os-famosos-eram-antes-de-ser-o-que-e/

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Um de meus poemas

Reflexões de minhas fantasias
(Marcos Henrique)


Não consigo ter inspiração, minha musa dorme, ou morreu de tédio por ter ficado muito tempo perto de mim, dentro de mim. Não consigo enxergar mais nada que me atraia, talvez seja eu, talvez seja Vênus, talvez seja a vida.

Recortes de jornais, palavras repetidas, dor, raiva, ira. Faço uma auto-analise, não sei me analisar tão bem, confesso. Deixo, defeitos passaram e virtudes se esconderem. O real não me fascina mais, mas sinceramente a quem fascina?

Já falei de mais de minhas dores, angustias, dúvidas e dissabores. Analisado meu ciclo de vida, vejo que algumas células nunca desabrocharam, nunca desabrocharão porque meu tempo passou, meu futuro virou passado, antes mesmo de se tornar presente, antes mesmo de se tornar palpável. Agora, a única coisa que me deixa feliz são filas de lotéricas, poder ficar ali parado, vendo as coisas passarem, as coisas que ninguém nota, como, por exemplo, os apostadores que fazem caras e bocas ao marcarem seus cartões, marcam os números já sonhando com a vida que dificilmente terão. A vida que terão só faz sentido em suas mentes, porque ninguém suporta a realidade, ninguém suporta uma fila de lotéricas simplesmente para pagar contas reais. Ninguém suporta os juros, ou o ônus da vida.

Não consigo ter mais nenhuma inspiração, não consigo mais imaginar nada, o que será de minha insuportável vida agora? Sai da caverna e, não gostei do que vi. E essa ida, essa saída, é sem volta, pois provei o que todos evitam, provei o gosto amargo de não poder imaginar mais nada. Como era feliz quando apenas imaginava como seriam as sombras que passavam, passavam e nunca me notavam. Como era feliz, quando podia fantasiar minha salvação.

terça-feira, novembro 29, 2011

Olhos Sanpaku: Você Sabe O Que São?

Este artigo trata de um conceito milenar da medicina japonesa e, portanto, de ciência pura.

Sanpaku


Sanpaku é uma palavra do idioma japonês medieval e significa “três brancos”. De acordo com a macrobiótica (*), uma pessoa tem olhos sanpaku quando a área branca dos seus olhos é visível também na parte inferior, entre a íris e a pálpebra, como se vê na ilustração acima. Compare-se com a ilustração abaixo, na qual se veem olhos saudáveis:

Nestes olhos, vê-se que a íris toca a pálpebra de baixo e o branco dos olhos só é visível à esquerda e à direita. A medicina macrobiótica afirma que as pessoas que possuem olhos sanpaku são vítimas de uma espécie de maldição, costumam morrer prematuramente e as circunstâncias das suas mortes são, geralmente, trágicas. Verdade ou mentira? Quem achar que é mentira, que veja os exemplos de John Kennedy, Michael Jackson, princesa Diana etc. e pare para pensar.

Olhos sanpaku famosos

De cima para baixo, da esquerda para a direita:

Olhos sanpaku do presidente norteamericano John Kennedy, assassinado em 1963; olhos sanpaku de Michael Jackson, morto tragicamente em 2009; olhos sanpaku de John Lennon, assassinado em 1980; olhos sanpaku da princesa Diane, morta tragicamente em 1997; olhos sanpaku do senador Robert Kennedy, assassinado em 1968; olhos sanpaku de Marilyn Monroe, morta tragicamente em 1962; olhos sanpaku de Indira Gandhi, assassinada em 1984; olhos sanpaku da cantora Maysa, morta tragicamente em 1977; olhos sanpaku da atriz Juliana Paes, ainda viva; olhos sanpaku do jornalista e apresentador de TV William Waak, ainda vivo.

A macrobiótica é taxativa: pessoas com olhos sanpaku são portadoras de um grave estado de desequilíbrio físico e espiritual. No seu livro ‘”Sois todos sanpaku”, George Oshawa, criador da medicina macrobiótica, escreveu: “O sanpaku perdeu o contato consigo mesmo, com seu corpo e com as forças naturais do universo. Os sintomas do sanpaku podem ser reconhecidos como fadiga crônica, baixa vitalidade sexual, reflexos ruins, mau humor, incapacidade de dormir bem e falta de precisão nos pensamentos e ações. A alimentação correta é a maneira simples e natural de corrigir a perigosa condição sanpaku e criar um estado de saúde, harmonia e bem-estar, internos e externos.”

Oshawa escreveu um artigo para o famoso jornal norteamericano The New York Times no qual previu a morte de John Kennedy, Bob Kennedy, Marilyn Monroe e de outras celebridades.

(*) A macrobiótica é um regime alimentar e de vida. A sua designação deriva de macro, grande, e bio, vida. O estilo de vida macrobiótico preconiza a plena vida, implementando o velho aforismo mente sã em corpo são. O japonês Oshawa (1893-1966) é o principal responsável pela divulgação dessa cultura no ocidente. Esta arte/ciência considera que o alimento principal para os seres humanos são os cereais integrais, comidos crus, cozidos, assados, fritos, germinados, enfim, em inúmeras formas de preparo e apresentação. Para esclarecer melhor a quem está acostumado com a visão científica desses assuntos, um tópico importante a ser destacado é que se dá muita atenção ao equilíbrio sódio-potássio (yin-yang) na escolha e no preparo da alimentação. A proporção dos mesmos deve se aproximar, na alimentação, da proporção existente nas células do organismo humano. Isso não quer dizer que precisaremos de uma tabelinha analítica da ocorrência desses dois elementos nos diversos alimentos. A habilidade em discernir essas características vem com a prática, através da observação e meditação sobre os conceitos de yin e yang, principais colunas do pensamento dialético oriental.


Fonte:http://www.vocesabia.net/saude/olhos-sanpaku-voce-sabe-o-que-sao/