segunda-feira, fevereiro 28, 2011

O Hoje


Hoje acordei achando que meu mundo era uma droga, meu emprego horrível, meus sonhos não se realizariam, minha mulher era muito gorda para os padrões dos comerciais de cerveja;

Hoje pensei que que Deus não olhava mais para mim, que meus amigos eram chatos e que meu café da manhã não poderia faltar um belo suco de laranja bem gelado, era um absurdo café da manhã sem suco, droga!

Hoje acordei com raiva de tudo porque meu filho pequeno chorou a noite toda e não se conformava com o leite que sua mãe tão paciente coloca em sua boquinha;

Hoje acordei pensando na possibilidade de comprar minha TV digital e fazer parte do século XXI;

Hoje acordei e percebi que não era legal sair de casa sem ler meu horóscopo;

Hoje acordei, me espreguicei, mas fiquei um pouco mais em minha cama que já deveria ser trocada, cinco anos é muito tempo para uma cama;

Hoje acordei, e ao acordar percebi o quanto sou egoísta, quanto sou humano e falho, o quanto não faço minha parte.

Se você acha sua vida uma droga o que esse garoto deve achar da dele??
Bom dia manhã cinza.
Marcos Henrique.

PARA CURTIR! Nessa segunda...ahhhhhh

DUAS EXCELENTES CRÔNICAS E/OU POEMAS DESTA FAMOSA POETISA E ESCRITORA MENCIONADA NO ASSUNTO DESTE E-MAIL QUE RECEBI!


Marina Colasanti


Sexta-feira à noite


Os homens acariciam o clitóris das esposas


Com dedos molhados de saliva. O mesmo gesto com que todos os dias


Contam dinheiro, papéis, documentos E folheiam nas revistas


A vida dos seus ídolos.
Sexta-feira à noite


Os homens penetram suas esposas Com tédio e pénis.


O mesmo tédio com que todos os dias Enfiam o carro na garagem


O dedo no nariz E metem a mão no bolso Para coçar o saco.
Sexta-feira à noite


Os homens ressonam de borco Enquanto as mulheres no escuro


Encaram seu destino E sonham com o príncipe encantado.


Eu sei, mas não devia



Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.


A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.


E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.


E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.


E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.


E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.


A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.


A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.



A comer sanduíche porque não dá pra almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.


A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.


E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.


E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.


A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.


A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.


A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.


A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.


E a ganhar menos do que precisa.


E a fazer filas para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem.


E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.


A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.


A abrir as revistas e a ver anúncios.


A ligar a televisão e a ver comerciais.


A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.


A gente se acostuma à poluição.


As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.


A luz artificial de ligeiro tremor.


Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável.


A contaminação da água do mar.


A lenta morte dos rios.


Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.


A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.


Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.


Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.


Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.


Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.


E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.


A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.


Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

sábado, fevereiro 26, 2011

Voce ja viu um Teclado Japones?


Um teclado sempre apresenta diferenças de acordo com o idioma para o qual está configurado. O teclado em português do Brasil, por exemplo, tem teclas para o acento grave (o “`”, que indica crase) e o Ç, símbolos próprios da nossa língua.

O mesmo acontece em outros países: os espanhóis têm a tecla “Ñ”, os gregos têm os caracteres que representam letras como “alfa”, “beta” e “gama” e assim por diante.

A coisa complica um pouco para idiomas não-ocidentais. Vamos pegar o exemplo do japonês: na terra do sol nascente, eles escrevem com dois silabários de 43 caracteres (lembre-se: o nosso alfabeto tem só 23 letras) e com um sistema de centenas de ideogramas, sinais que representam conceitos ou idéias.

Para fazer esse monte de símbolos caberem em um teclado de computador, os japoneses precisaram usar a cabeça. A solução foi engenhosa: as sílabas mais usadas são acessadas diretamente, as menos usadas aparecem com a ajuda de teclas de apoio e os ideogramas surgem na tela dos programas de edição de texto.

Não é tão complicado: basta se habituar à configuração do teclado, como você confere nos exemplos do infográfico abaixo. QUESTÃO DE PRÁTICA Japoneses usam dezenas de caracteres com a ajuda de teclas de apoio e editores de texto SÍLABAS MAIS USADAS Os principais elementos da escrita japonesa são dois silabários (conjuntos de sílabas), cada um composto por 43 caracteres.

Desse total, os mais usados aparecem impressos diretamente no teclado.
Basta apertar a tecla correspondente e a sílaba aparece na tela SÍLABAS MENOS USADAS As sílabas menos usadas também aparecem impressas no teclado, mas em tamanho menor. Para acessá-las, é preciso acionar a tecla correspondente junto com alguma tecla de apoio ? o shift, por exemplo.

É o mesmo processo que a gente usa para digitar letras maiúsculas IDEOGRAMAS Além do silabário, a escrita japonesa também utiliza centenas de símbolos que representam conceitos ou idéias, os ideogramas. Para digitá-los, o usuário precisa de algum programa de edição de texto que ofereça uma lista de todos os ideogramas. Daí, basta clicar no atalho da lista de ideogramas (digitando alt + “) e escolher o seu ? o processo é parecido com a opção “inserir símbolo” do Word

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

SE TODAS AGISSEM ASSIM


SE TODAS AGISSEM ASSIM,
TALVEZ A SITUAÇÃO HOJE,
FOSSE DIFERENTE!!!

Minha mãe me ensinou a VALORIZAR UM SORRISO...

'ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!'

Minha mãe me ensinou a RETIDÃO...

'EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!'

Minha mãe me ensinou a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS...

'SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PARA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!'

Minha mãe me ensinou LÓGICA E HIERARQUIA...

'PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! E PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?'

Minha mãe me ensinou o que é MOTIVAÇÃO...

'CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VOCÊ CHORAR!'

Me ensinou a CONTRADIÇÃO...

'FECHA A BOCA E COME!'

Minha Mãe ensinou sobre ANTECIPAÇÃO...

'ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!'

Minha Mãe me ensinou sobre PACIÊNCIA...

'CALMA!... QUANDO CHEGARMOS EM CASA TU VAI VER SÓ...'

Minha Mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS...

'OLHE PARA MIM! E ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!'

Minha Mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO...

'SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!'

Minha Mãe me ensinou MEDICINA...

'PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE.'

Minha Mãe me ensinou sobre o REINO ANIMAL...

'SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!'

Minha Mãe me ensinou sobre SEXO...

'E COMO VOCÊ ACHA QUE VOCÊ NASCEU?'

Minha Mãe me ensinou sobre GENÉTICA...

'VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!'

Minha Mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES...

'TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA, É?'

Minha Mãe me ensinou sobre a SABEDORIA DE IDADE...

'QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER.'

Minha Mãe me ensinou sobre JUSTIÇA...

'UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO QUE ELES FAÇAM COM VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ COMIGO!
AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!'

Minha mãe me ensinou RELIGIÃO..

'MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!'

Minha mãe me ensinou o BEIJO DE ESQUIMÓ...

'SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!'

Minha mãe me ensinou CONTORCIONISMO...

'OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!'

Minha mãe me ensinou DETERMINAÇÃO...

'VAI FICAR AÍ SENTADO, ATÉ COMER TODA COMIDA!'

Minha mãe me ensinou habilidades como VENTRILOQUIA...

'NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?'

Minha mãe me ensinou a SER OBJETIVO...

'EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!'

Minha mãe me ensinou a ESCUTAR...

'SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!'

Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS...

'SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!...'

Minha mãe me ajudou na COORDENAÇÃO MOTORA...

'AJUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!!! PEGA UM POR UM!!'

Minha mãe me ensinou os NÚMEROS...

'VOU CONTAR ATÉ DEZ.. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!'

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

FACE OCIDENTAL


A animação ao lado mostra a sequência das últimas 5 imagens em infravermelho enviadas pelo satélite GOES-12. Nesta imagem são visíveis as 3 américas, os oceanos Pacífico e Atlântico e no canto superior direito, o sudoeste da África. Orbitando a uma altitude de 36 mil quilômetros sobre a linha do equador, o satélite GOES-12 localiza-se na longitude 56° 22"W


Quer saber mais...??? Então click no link : http://apolo11.com/mundo_agora.php?imagem=americas

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

LIÇÃO PARA TODOS!


JESUS ERA... PERIPATÉTICO

(Max Gehringer)


Numa das empresas em que trabalhei, eu fazia parte de um grupo de treinadores voluntários. Éramos coordenados pelo chefe de treinamento, o professor Lima, e tínhamos até um lema:

"Para poder ensinar, antes é preciso aprender" (copiado, se bem me recordo, de uma literatura do Senai).


Um dia, nos reunimos para discutir a melhor forma de ministrar um curso para cerca de 200 funcionários. Estava claro que o método convencional - botar todo mundo numa sala - não iria funcionar, já que o professor insistia na necessidade da interação, impraticável com um público daquele tamanho. Como sempre acontece nessas reuniões, a imaginação voou longe do objetivo, até que, lá pelas tantas, uma colega propôs usarmos um trecho do Sermão da Montanha como tema do evento. E o professor, que até ali estava meio quieto, respondeu de primeira. Aliás, pensou alto:


- Jesus era peripatético...


Seguiu-se uma constrangida troca de olhares, mas, antes que o silêncio pudesse ser quebrado por alguém com coragem para retrucar a afronta, dona Dirce, a secretária, interrompeu a reunião para dizer que o gerente de RH precisava falar urgentemente com o professor.


E lá se foi ele, deixando a sala à vontade para conspirar.


- Não sei vocês, mas eu achei esse comentário de extremo mau gosto -disse a Laura.


- Eu nem diria de mau gosto, Laura. Eu diria ofensivo mesmo - emendou o Geraldo, para acrescentar que estava chocado, no que foi amparado por um silêncio geral.


- Talvez o professor não queira misturar religião com treinamento -disse o Sales, que era o mais ponderado de todos - mas eu até vejo uma razão para isso...


- Que é isso, Sales? Que razão?


- Bom, para mim, é óbvio que ele é ateu.


- Não diga!


- Digo. Quer dizer, é um direito dele. Mas daí a desrespeitar a religiosidade alheia...


Cheios de fúria, malhamos o professor durante uns dez minutos e, quando já o estávamos sentenciando à fogueira eterna, ele retornou. Mas nem percebeu a hostilidade. Já entrou falando:


- Então, como ia dizendo, podíamos montar várias salas separadas e colocar umas 20 pessoas em cada uma. É verdade que cada treinador teria de repetir a mesma apresentação várias vezes, mas... Por que vocês estão me olhando desse jeito? - Bom, falando em nome do grupo, professor, essa coisa aí de peripatético, veja bem...


- Certo! Foi daí que me veio a idéia. Jesus se locomovia para fazer pregações, como os filósofos também faziam, ao orientar seus discípulos. Mas Jesus foi o Mestre dos Mestres, portanto a sugestão de usar o Sermão da Montanha foi muito feliz. Teríamos uma bela mensagem moral e o deslocamento físico...


-Mas que cara é essa?... Peripatético quer dizer "o que ensina caminhando".


E nós ali, encolhidos de vergonha. Bastaria um de nós ter tido a humildade de confessar que desconhecia a palavra que o resto concordaria e tudo se resolveria com uma simples ida ao dicionário.


Isto é, para poder ensinar, antes era preciso aprender.


Finalmente, aprendemos. Duas coisas:


A primeira é o fato de todos estarem de acordo não transforma o falso em verdadeiro; e a segunda é que a sabedoria tende a provocar discórdia, mas a ignorância é quase sempre unânime.


(Artigo escrito por Max Gehringer editado na Revista VOCÊ SA.)

sábado, fevereiro 19, 2011

HOMENS: RAÇA UNIDA!




Carta de uma leitora ao conselheiro sentimental de uma revista feminina.....

Ao Dr.
Antônio Roberto,
Psicólogo e psicoterapeuta

Espero que possa me ajudar.
Peguei meu carro e saí pra trabalhar, deixando meu marido em casa vendo televisão, como sempre. Rodei pouco mais de 1 km quando o motor morreu e o carro parou. Voltei pra casa, para pedir ajuda ao meu marido. Quando cheguei, nem pude acreditar, ele estava no quarto, com a filha da vizinha!
Eu tenho 42 anos, meu marido 44, e a garota 22. Estamos casados há 20 anos, ele confessou que eles estavam tendo um caso há 6 meses. Eu o amo muito e estou desesperada. Você pode me ajudar?

Antecipadamente grata.

Patrícia


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RESPOSTA


Cara Patrícia:
Quando um carro pára depois de haver percorrido uma pequena distância, isso pode ter ocorrido devido a uma série de fatores. Comece por verificar se tem gasolina no tanque. Depois veja se o filtro de gasolina não está entupido.
Verifique também se tem algum problema com a injeção eletrônica. Se nada disso resolver o problema, pode ser que a própria bomba de gasolina esteja com defeito, não proporcionando quantidade ou pressão suficiente nos injetores. A pessoa ideal para ajudá-la seria um mecânico. Você jamais deveria voltar em casa para chamar seu marido. Ele não é mecânico. Você está errada. Não repita mais isso.

Espero ter ajudado.
Antônio Roberto
Psicólogo e psicoterapeuta

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

O Problema do Livre Arbítrio

por John D. Barrow, excerto deImpossibility: The Limits of Science and the Science of Limits
Nós temos que acreditar no livre arbítrio. Nós não temos escolha. - Isaac Singer

A aplicação do estilo de argumentação de Gödel a questões de auto-conhecimento completo, livre arbítrio e determinismo foi feita primeiramente pelo falecido Karl Popper, em um par de artigos escritos para a primeira edição do British Journal for the Philosophy of Science em 1950. Popper mostrou que uma máquina determinística de computar não poderia produzir uma predição de seu próprio estado futuro que permaneceria válida se ela fosse incorporada dentro de si mesma, porque o processo de incorporação a faria inevitavelmente obsoleta. Físicos estavam familiarizados com o cenário heurístico do Princípio da Incerteza de Heisenberg que torna a medida perfeita uma impossibilidade, porque o próprio ato de medida perturbaria o sistema em valores relativamente cada vez maiores à medida que a dimensão sendo sondada fica cada vez menor. Popper usou o equivalente lógico desta perturbação, que é uma conseqüência simples dos argumentos anteriores de Gödel e Turing, para limitar a capacidade de um computador para entender e predizer completamente seu comportamento: auto-descrição completa é logicamente impossível. O dilema não é diferente do fictício Tristram Shandy, que descobriu que sua autobiografia era incapaz de manter seu ritmo de vida, já que Para predizer a si mesmo completamente, uma pessoa tem que predizer a si mesma predizendo a si mesma completamente, e então uma pessoa tem adicionalmente que predizer a si mesma predizendo a si mesma predizendo a si mesma completamente. O regresso infinito está claro.

Este argumento foi tomado e aplicado mais especificamente a questões teológicas e filosóficas pelo cientista cognitivo britânico, Donald Mackay. Mackay era um escritor freqüente em assuntos de interesse comum para a religião e a ciência. O estilo dele era acessível e lógico e sua abordagem deu relances rápidos de seu background Calvinista subjacente. Ele tinha um interesse antigo em assuntos de livre arbítrio e determinismo, e se esforçou em usar os argumentos de Gödel e Popper para clarificar a discussão confusa que ele identificou na maioria das discussões sobre determinismo, predestinação e livre arbítrio. Seus argumentos, embora logicamente precisos e rigorosos, eram bastante diretos e apareceram em muitas revistas dirigidas a leigos, notavelmente primeiro em duas edições de The Listener, a revista semanal da BBC, em maio de 1957.

Mackay nos pede que consideremos um mundo que é totalmente determinístico (esqueça por um momento de coisas como a incerteza quântica e a sensibilidade finita de dispositivos de medida); todos os fenômenos, até mesmo decisões pessoais e opiniões, são supostos como sendo determinados completamente com antecedência por um sistema de leis rígidas da Natureza. A visão de Laplace é concretizada. Agora nós perguntamos, seria possível, mesmo em princípio, predizer completamente o comportamento de outra pessoa neste mundo?

À primeira vista, você poderia pensar que sim. Mas olhe mais de perto. Considere uma pessoa que é solicitada a escolher para o almoço entre sopa ou salada. Se nós apresentamos um neurologista que não só conhece o estado completo do cérebro desta pessoa, mas também o do universo inteiro no momento, nós poderíamos perguntar se este cientista poderia infalivelmente anunciar qual será a sua escolha do almoço. A resposta é 'não'. O sujeito sempre pode ser teimoso e adotar uma estratégia que diz, 'Se você disser que eu escolherei sopa, então eu escolherei salada, e vice-versa'. Sob estas condições é logicamente impossível ao cientista predizer infalivelmente o que a pessoa escolherá se o cientista fizer sua predição conhecida.

Isto não significa que é impossível para o cientista saber infalivelmente qual será a escolha da pessoa. Contanto que ele mantenha este conhecimento para si mesmo, sua teoria determinística dos pensamentos e ações do sujeito almoçando pode continuar sendo infalível. Ele poderia contar para outras pessoas. Ele poderia até mesmo escrever sua predição em um pedaço de papel e mostrá-lo ao sujeito depois que ele tivesse escolhido o almoço dele. Em ambos os casos, ele poderia ter predito corretamente, mas não teria exercido nenhuma restrição ao livre arbítrio do sujeito almoçando que esse sujeito conhecesse. É só quando o cientista decide fazer a predição conhecida ao sujeito que a balança pende contra ele e o sujeito pode sempre falsificar sua predição se assim escolher. Como a predição é feita conhecida, ela não pode ser incondicionalmente obrigatória à pessoa cujas ações ela prediz. Essa pessoa sempre pode agir para falsificar a predição. Ela não precisa fazer isso, mas ela pode; você não pode estar seguro.
Vamos desenvolver o argumento um pouco mais adiante. Suponha que nós estejamos em posse de uma teoria completa para predizer sua próxima ação se nós conhecermos seu estado de cérebro atual. Nós demonstramos quão bons nós somos em fazer isto mostrando nossas predições a outras pessoas, todas confirmando que você age precisamente como predito.

Suponha que seu cérebro esteja no estado 1 e nós predigamos que você agirá como P(1). Você estaria correto em acreditar na predição P(1) se ela fosse mostrada a você?

Primeiro, nós temos que considerar o efeito em seu estado de cérebro em acreditar na predição P(1). Se acreditar na predição mudou o estado de seu cérebro para o estado 2, então o ato de acreditar a predição P (1) deixaria seu cérebro em um estado diferente do qual a predição estava baseada. Este novo estado do cérebro 2 daria origem a uma predição nova P(2). A pergunta fundamental é se nós podemos inserir em nossas predições os efeitos de tornar a predição P(1) conhecida a você, de forma que nós possamos fazer a predição P(2). Mas, se isso fosse feito, nós não poderíamos dizer que você estaria correto em acreditar em P(2), porque é o estado de cérebro 2 que conduz à predição P(2), e se você acreditasse em P(2) isto mudaria seu estado de cérebro novamente do estado 2 para algum estado novo 3, digamos, e P(2) não seria uma predição correta da ação que se segue desse estado. A precisão de qualquer predição que nós possamos fazer de seu comportamento é condicional a você não acreditar nela.

Este é um estado das coisas interessante. Normalmente, nós pensamos em algo 'verdadeiro' como sendo verdade para todo o mundo. Aqui, esta universalidade não existe. A correlação entre estados de cérebro e conhecimento cria uma indeterminação lógica sobre o futuro: há uma distinção entre algo ser previsível para os outros e inevitável para você mesmo.

O objetivo de Mackay aqui era mostrar que um modelo determinístico de ação do cérebro não faria insustentável a convicção de que os indivíduos desfrutam de liberdade de escolha (sob circunstâncias normais). Ele não faz nenhuma apelação a incertezas quânticas ou não-computabilidade. Ele também faz a suposição mais forte possível sobre a codificação do cérebro dos pensamentos e sentimentos de uma pessoa: que tudo o que eles vêem, ouvem, sentem, acreditam, etc. é completa e unicamente codificado no estado do cérebro físico deles. Assim, uma mudança de convicção sobre algo (isto é, uma mudança de idéia) seria representável por uma transformação específica de um estado de cérebro para outro.

Explicando o que ele quer dizer por 'liberdade', Mackay escreve:

ao chamar um homem 'livre', (a) nós poderíamos querer dizer que sua ação era imprevisível por qualquer pessoa. Isto eu chamaria a liberdade de capricho; ou (b) nós podemos querer dizer que o resultado de sua decisão depende dele, no sentido de que a menos que ele tome a decisão ela não será feita, que ele está em uma posição de fazê-la e que não existe nenhuma especificação completamente determinística do resultado à qual ele estaria correto em aceitar como inevitável e não poderia falsificar se a conhecesse.

Mackay aplica isto à pergunta de presciência divina para argumentar que a presciência divina não é algo que nós estaríamos corretos em acreditar se só nós a conhecêssemos — já que para nós (ao contrário de para Deus) isto envolveria uma contradição.

Disto, ele continua para concluir que o determinismo físico (de processamento neural) não implica em 'determinismo metafísico (negando a realidade de liberdade e responsabilidade humana)'. Além disso, o que muitos tradicionalmente consideraram a doutrina teológica de predestinação é logicamente impossível. Disputas passadas argumentaram baseadas em um engano sério da lógica da situação:

Isto pode soar estranho a aqueles de nós que fomos acostumados a supor que a doutrina de predestinação divina significava apenas isso — que já existe uma descrição de nós e nosso futuro agora, inclusive as escolhas que ainda não fizemos, que é inevitável a nós se nós a conhecêssemos, porque ela é conhecida a Deus. Mas eu espero que esteja agora claro que nós não deveríamos conceder nenhuma honra a Deus por tal alegação; porque nós deveríamos estar meramente nos convidando a imaginá-lo em uma auto-contradição lógica. Neste momento, nós estamos desavisados de qualquer descrição assim; portanto se ela existe ela teria que nos descrever como não acreditando nela. Mas nesse caso nós estaríamos em erro ao acreditar nela, já que nosso acreditar a falsificaria! Por outro lado, seria inútil alterar a descrição de forma que ela nos descreva como acreditando nela; já que nesse caso ela é no momento falsa, e então, embora ficasse correta se nós acreditássemos nela, nós não estaríamos em erro em não acreditar nela! Assim a presciência divina de nosso futuro, estranhamente, não tem nenhuma reivindicação lógica incondicional sobre nós, desconhecida para nós. Isto, eu acredito, demonstra uma falácia que está por trás tanto da disputa teológica entre o Arminianismo e o Calvinismo, quanto da disputa filosófica entre determinismo físico ou psicológico... e o libertarianismo em relação à responsabilidade do homem... até mesmo a soberania de Deus sobre cada volta e reviravolta de nosso drama não contradiz... nossa convicção de que somos livres, no sentido de que nenhuma especificação determinante já existe a qual se nós a conhecêssemos deveríamos estar corretos em acreditá-la e errados em desacreditá-la, quer gostássemos ou não.
Estes argumentos têm uma mensagem clara e simples para qualquer tipo de estudo preditivo e explicativo. Há aspectos imprevisíveis de fenômenos completamente determinísticos.

Há um dilema adicional que pode ser criado dos argumentos de Popper e Mackay. Porque Mackay imagina um Superser fazendo a predição e o tema das predições do Superser como sendo duas 'mentes' diferentes. Mas e se eles fossem um e o mesmo? Suponha que eu saiba tanto sobre os funcionamentos do cérebro e o Universo externo que eu possa computar o que eu escolherei comer para o jantar. Suponha mais adiante que eu seja bastante perverso, e assim decida que escolherei deliberadamente não comer tudo aquilo que meus cálculos predizerem que eu vá comer. Eu tive assim sucesso em tornar logicamente impossível para eu predizer o que escolherei. Entretanto, se eu tivesse sido sensato poderia ter decidido escolher deliberadamente comer tudo o que meus cálculos predisserem que eu escolherei comer. Nesse caso, eu posso predizer minhas ações futuras com sucesso — mas apenas se escolher fazer isso.

Paradoxalmente, parece que está em meu poder decidir se eu posso predizer meu futuro ou não.
Vamos olhar para que tipo de dilema isto cria para nosso Superser. Se ele teimosamente escolhe agir ao contrário do que suas predições dizem que ele fará, ele não pode predizer o futuro, até mesmo se o Universo for completamente determinístico. Ele não pode assim conhecer a estrutura completa do Universo. A onisciência é logicamente impossível para ele, se ele quiser ser do contra. Mas se ele não quiser ser contrário, então ele pode ser onisciente. Nenhum ser pode predizer o que fará se ele não fizer o que prediz que fará!